De Povos Indígenas no Brasil
Notícias
Epilepsia e transtorno bipolar
29/08/2008
Autor: Jessé Souza
Fonte: Folha de Boa Vista - www.folhabv.com.br
Andei vasculhando alguns tratados médicos. Estava querendo entender algumas paranóias que atingem a coletividade. Descobri um transtorno bipolar em Dom Quixote Dela Mancha. Em Dostoievski encontrei uma epilepsia que era precedida de uma alegria intensa antes do ataque fatal.
A propósito, transtorno bipolar era conhecido, faz algum tempo, como psicose-maníaco-depressiva. A doença apresentava-se em ciclos de psicose, que nada mais é do que ausência parcial da realidade com pequenos delírios e idéias fixas.
Identifiquei que boa parte da população roraimense sofre de transtorno bipolar e de epilepsia. O transtorno bipolar revela-se quando as pessoas parecem viver uma realidade paralela, quando entram num surto coletivo das paranóias inventadas pelo poder local.
A questão indígena é apenas um exemplo. As pessoas ficam cegas, absorvem um discurso alarmista irreal, exagerado, a ponto de ficar com idéias fixas impossíveis de serem curadas. Eu não tenho mais nenhuma esperança nesses adultos que estão em surtos constantes. Só creio que as crianças de hoje ainda podem se curadas.
Há também, por aí, um monte de gente epilética. Amazoner Okaba disse-me que ele tem um colega que identificou vários tipos de epilepsia, além da tradicional: auditiva, visual e até verbal (essa eu inventei de graça).
As pessoas surtam e ficam ouvindo vozes interiores repetindo mantras que são inventados principalmente pela classe política: "Estamos sendo invadidos!"; "Estão tomando nossas terras"; "Estão conspirando"; "Estão entregando o ouro"...
E há os epiléticos visuais que juram estar vendo monstros nas fronteiras, objetos voadores mapeando nossas minas de urânio, o Chávez mudando o marco na fronteira e Obama antes de ganhar a eleição posicionando o exército para tomar de assalto nosso mingau de arroz.
Enquanto a gente fica vendo monstro e ouvindo vozes interiores, eles vão metendo a mão na grana que era para comprar remédios; vão ganhando incentivos fiscais; vão vendendo para o governo e não entregando; vão desviando recursos para asfaltar estrada; vão contratando parentes. E, na cara de pau, eles ainda põem a culpa de tudo isso na questão indígena.
Sofrendo de transtorno bipolar e de epilepsia, a população não consegue enxergar a realidade. Busca um sentido para a vida chata se alimentando das paranóias. E a paranóia traz uma adrenalina que já viciou a todos.
Ninguém consegue mais viver sem sobressaltos, sem pânico, sem obsessões. Aí os políticos ganham o voto metendo medo e o governo faz suas maracutaias se escondendo atrás do pânico geral.
Quando não houver mais pânico, paranóias, surtos ultranacionalistas, teorias de conspiração, aí o povo vai entrar em depressão profunda. E vai descobrir que a vida é chata e que o melhor é morrer. Por isso não é bom que nós nos curemos do transtorno bipolar e da epilepsia. É o fim.
P.S: Acorda Brasil! Tô contigo, ministro Ayres Britto.
* Jornalista - jesse@folhabv.com.br - Visite o blog do colunista: http://pajuaru.blogspot.com
A propósito, transtorno bipolar era conhecido, faz algum tempo, como psicose-maníaco-depressiva. A doença apresentava-se em ciclos de psicose, que nada mais é do que ausência parcial da realidade com pequenos delírios e idéias fixas.
Identifiquei que boa parte da população roraimense sofre de transtorno bipolar e de epilepsia. O transtorno bipolar revela-se quando as pessoas parecem viver uma realidade paralela, quando entram num surto coletivo das paranóias inventadas pelo poder local.
A questão indígena é apenas um exemplo. As pessoas ficam cegas, absorvem um discurso alarmista irreal, exagerado, a ponto de ficar com idéias fixas impossíveis de serem curadas. Eu não tenho mais nenhuma esperança nesses adultos que estão em surtos constantes. Só creio que as crianças de hoje ainda podem se curadas.
Há também, por aí, um monte de gente epilética. Amazoner Okaba disse-me que ele tem um colega que identificou vários tipos de epilepsia, além da tradicional: auditiva, visual e até verbal (essa eu inventei de graça).
As pessoas surtam e ficam ouvindo vozes interiores repetindo mantras que são inventados principalmente pela classe política: "Estamos sendo invadidos!"; "Estão tomando nossas terras"; "Estão conspirando"; "Estão entregando o ouro"...
E há os epiléticos visuais que juram estar vendo monstros nas fronteiras, objetos voadores mapeando nossas minas de urânio, o Chávez mudando o marco na fronteira e Obama antes de ganhar a eleição posicionando o exército para tomar de assalto nosso mingau de arroz.
Enquanto a gente fica vendo monstro e ouvindo vozes interiores, eles vão metendo a mão na grana que era para comprar remédios; vão ganhando incentivos fiscais; vão vendendo para o governo e não entregando; vão desviando recursos para asfaltar estrada; vão contratando parentes. E, na cara de pau, eles ainda põem a culpa de tudo isso na questão indígena.
Sofrendo de transtorno bipolar e de epilepsia, a população não consegue enxergar a realidade. Busca um sentido para a vida chata se alimentando das paranóias. E a paranóia traz uma adrenalina que já viciou a todos.
Ninguém consegue mais viver sem sobressaltos, sem pânico, sem obsessões. Aí os políticos ganham o voto metendo medo e o governo faz suas maracutaias se escondendo atrás do pânico geral.
Quando não houver mais pânico, paranóias, surtos ultranacionalistas, teorias de conspiração, aí o povo vai entrar em depressão profunda. E vai descobrir que a vida é chata e que o melhor é morrer. Por isso não é bom que nós nos curemos do transtorno bipolar e da epilepsia. É o fim.
P.S: Acorda Brasil! Tô contigo, ministro Ayres Britto.
* Jornalista - jesse@folhabv.com.br - Visite o blog do colunista: http://pajuaru.blogspot.com
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